Testemunhos da esperança
Testemunhos da esperança
TIA LIA: UMA VIDA DE VOLUNTARIADO E AMOR AO PRÓXIMO
Neste mês de março, o Jornal Caminhada presta uma homenagem especial a Eliana Irene Zimmermann, conhecida carinhosamente como "Tia Lia". Mulher de fibra, honesta e dedicada, sua história é marcada pelo compromisso com a educação, o voluntariado e a Igreja. Como professora aposentada, continua a doar seu tempo a diversas iniciativas, incluindo o Centro de Formação, a Cáritas Diocesana, a Comunidade São Vicente e os Grupos de Família.
Uma Infância de Simplicidade e Amor
Nascida em 15 de março de 1953, em Blumenau, Tia Lia cresceu em um lar simples e cheio de amor, ao lado de cinco irmãos. Desde pequena, era ativa e disposta a ajudar. Suas memórias de infância são recheadas de brincadeiras e tardes animadas, mas também de responsabilidade precoce, auxiliando nas tarefas de casa e no trabalho do pai, que possuía um açougue em Petrolândia, para onde a família se mudou quando ela tinha sete anos.
Com espírito determinado, sempre soube que queria estudar e conquistar sua independência. Essa vontade a levou para Lages, onde cursou o ensino médio. Morou com a irmã e o cunhado no Seminário, onde também ajudava nas tarefas. Com muito esforço, concluiu os estudos e formou-se em Ciências com habilitação em Matemática. Sua carreira no magistério durou 27 anos, com passagens por Campo Belo e pela Escola Belisário, onde lecionou por 23 anos. Aposentou-se com a satisfação de ter marcado a vida de inúmeras crianças e famílias.
Uma Vida Dedicada ao Voluntariado e à Igreja
Tia Lia sempre acreditou que o verdadeiro pagamento pelo trabalho voluntário vinha da "graça de Deus". A vizinha perguntava: “Quanto a senhora ganha para dar catequese?” A resposta era: “Ah, ganho bastante, a graça de Deus...”. Ela faz questão de esclarecer que seus trabalhos na catequese, Recanto do Pinhão, Cáritas Diocesana e no Centro de Formação são voluntários. Para ela, o voluntariado vale a pena, “a pessoa se sente bem quando está ajudando”.
Na Cáritas, faz parte da diretoria, ajuda no bazar, Recanto do Pinhão e no atendimento a pessoas em situação de rua. Sempre gostou de estar com as pessoas, ajudar, e apesar das dificuldades, vê nisso uma forma de aprendizado constante. Seu trabalho voluntário nem sempre foi fácil. No início do Recanto do Pinhão, foi incentivada por Terezinha a buscar apoio de lideranças. Quando organizaram a primeira barraca da Cáritas, faltavam recursos. Um dos companheiros de missão, questionou: “Meu Deus, e agora? Como vamos comprar as coisas?” Ela respondeu: “Deixa que eu dou um jeito”. E deu mesmo. Começou a usar seus próprios recursos, comprava à vista para conseguir descontos e organizava rifas para arrecadar dinheiro. Na Comunidade São Vicente, ajudou a construir a capela mortuária, enfrentando dificuldades, mas contando com doadores solidários.
Amizades e Parcerias na Caminhada da Fé
O voluntariado também aproximou Tia Lia de muitos padres ao longo dos anos. Dom Oneris via nela uma mulher determinada e generosa. Quando a capela mortuária da Comunidade São Vicente precisou de um espaço, Dom Oneris ajudou a conseguir um terreno, e Tia Lia garantiu que os recursos fossem bem utilizados. Brincava com os padres, dizendo: “A gente tem que ser inteligente, né, padre?” E eles riam, sabendo que ela sempre conseguia o que queria quando se tratava de ajudar a comunidade. Padre Henrique e Pe. Ildo também confiavam em suas iniciativas e sabiam que podia contar com ela para resolver desafios na igreja e nos projetos sociais. Uma dessas ações é a entrega de 13 cestas básicas todos os meses, para famílias carentes, que ela e o pe. Ildo ajudavam. Com o falecimento do pe. Ildo, Tia Lia continua nessa tarefa, e “nunca faltou dinheiro para estas cestas, graças a Deus”. Ela vive juntando latinhas e tampinhas para custear esses alimentos.
O Verdadeiro Tesouro
Tia Lia nunca precisou de muito para se sentir rica. Sua verdadeira fortuna sempre esteve na alegria de servir e na amizade daqueles que acreditavam no poder da solidariedade. Seu testemunho de esperança e dedicação segue como inspiração para todos nós, lembrando que o amor ao próximo é o maior legado que podemos deixar.