Testemunhos da esperança
Testemunhos da esperança
IRMÃ OLÍMPIA E A CAPACIDADE DE FLORESCER MESMO NAS SITUAÇÕES MAIS DIFÍCEIS
O Jornal Caminhada homenageia nesta primeira edição de 2025, a Irmã Olímpia Gaio, da Congregação Irmãs Franciscanas do Apostolado Paroquial (IFAP). Aos 80 anos de idade, os passos são mais lentos, mas ela mantém firmes a voz, sorriso e olhar, e também a determinação com a qual construiu sua trajetória ao lado das mulheres marginalizadas em toda sua vida. Hoje reside na Comunidades Francisclariana, com mais seis companheiras de 66 a 90 anos, que ali vivem, sob os cuidados da Irmã Irdes Guadagnin.
Irmã Olímpia nasceu em 10 de março de 1944, em Nova Roma do Sul (RS), numa família de agricultores, com 12 filhos. Ela escreveu algumas linhas para compartilhar sua trajetória:
Na véspera dos meus 13 anos, em 9 de março de 1957, fui enviada ao Colégio de Ipomeia -SC, com minha irmã, Lurdes. A mãe nos acompanhou de longe, com olhar atento e preocupado. Foi um momento marcante, deixando para trás a segurança do lar para ingressar na vida escolar sob os cuidados das irmãs.
Ao ingressar na Congregação das Irmãs Franciscanas do Apostolado Paroquial, conhecida na época como IFAC (Irmãs Franciscanas da Ação Católica), comecei a me envolver em diversas atividades. Lá, trabalhei no Colégio Nossa Senhora Aparecida e colaborei no Hospital Jonas Ramos, em Caçador (SC), enquanto seguia meus estudos. Os dias começavam cedo, às 5h30, com orações e tarefas diárias. A rotina era intensa e desafiadora, mas também enriquecedora. Me sentia tão cansada que chegava a dormir nas aulas...
Trajetória de Viagens e Trabalho Missionário
Com o tempo, minha missão me levou a viagens por diversas regiões do Brasil e outros países. Conheci América Latina, Europa, Japão, Coréia do Sul e China. Na China, fiquei particularmente impressionada com a Grande Muralha, que parecia um símbolo de perseverança e história.
Essas viagens não apenas ampliaram meus horizontes, mas também reforçaram minha fé e o desejo de servir em qualquer lugar onde fosse necessária. Mesmo diante das dificuldades, encontrei motivos para agradecer e continuar minha jornada.
Desafios na Vocação Religiosa
Ao longo dos anos, refleti sobre minha fragilidade e missão. Nosso lema de vida, inspirado no Evangelho, escolhido pela nossa turma (1960) no noviciado foi: "Não foram vocês que me escolheram, fui eu que escolhi vocês; eu vos escolhi e vos destinei para ir e dar frutos, e para que o fruto de vocês permaneça. O Pai dará a vocês qualquer coisa que vocês pedirem em meu nome." (Jo 15,16). Esse lema guiou minhas ações, mesmo nas situações mais difíceis.
Nunca desejei ser um exemplo a ser seguido, pois sabia das minhas limitações e dos erros que cometi. No entanto, a missão sempre esteve acima de qualquer dificuldade pessoal.
Estudos e Trabalho Social e Comunitário
Entre 1969 e 1970, iniciei o curso de Pedagogia na UFRGS e participei de um intensivo organizado pela CNBB e CRB para preparar lideranças religiosas capazes de assumir a coordenação de congregações. Cursei o mestrado na Escola de Sociologia e Política em São Paulo. Concluí minha formação com dedicação e gratidão por todas as oportunidades de aprendizado.
Também me dediquei à evangelização através da música: organizei um coral paroquial e lecionei música, sendo responsável por cerimônias religiosas e casamentos. Esses momentos marcaram minha contribuição na comunidade local.
Durante a década de 1980, estive à frente de projetos sociais importantes, como a Pastoral da Mulher Marginalizada, a organização da Associação das Empregadas Domésticas e das Mulheres Negras. Visitávamos semanalmente a área do meretrício, no bairro Santa Clara, e isto tudo demandava intensa articulação em nível local, nacional e internacional. Também conseguimos dar visibilidade e protagonismo às mulheres, pelo fato de lecionar Psicologia Social na Uniplac, organizava a participação das mesmas nos debates na sala de aula. Participei de eventos como o Fórum Social Mundial e encontros globais sobre direitos das mulheres, promovendo a solidariedade e a justiça social.
Reflexões Finais
Hoje, continuamos a nos dedicar aos ideais de São Francisco e Santa Clara, sempre com esperança e fé. A experiência de vida me ensina que é fundamental dialogar com os jovens e transmitir a importância da perseverança. Mesmo diante das adversidades, acredito que há muito o que construir. Como disse Ferreira Gullar: "A história humana não se desenrola apenas nos campos de batalha e nos gabinetes presidenciais, mas também nos quintais, nas ruas e nos subúrbios."
Finalizo com a reflexão: "Nunca viste a primavera dar flores sobre uma casa em ruínas?" Esta frase resume minha jornada de vida: a capacidade de florescer mesmo nas situações mais difíceis.